
Estou cansada de deixar minha vida nas mãos rudes do destino, que me maltrata e faz de mim o que bem entende. Deixar minha vida, meu pobre coração nas mãos do meu amor eloquente que se entrega àquele que me encanta e domina. Isso dói, pois aquele que amo nem sempre me ama, mas me machuca e me mata aos poucos como um veneno que suga, que tira minhas capacidades, que me pede mais do que tenho. Dou de bom grado, porque … ah, essas certezas que se transformam em dúvidas na metade de seu domínio sobre mim – a viagem, alguns chamam. Como se você fosse uma droga feita sob medida para mim.
Em todas as vezes que brincamos de amar, todas as malditas vezes eu perdi. Perdi e fui humilhada por perder. Perdi minha confiança no mundo, no destino e no amor.
É seu próprio jogo, são suas regras. Como você pode perder?Jogo porque sou uma menina orgulhosa. Porque acho que comigo você pose se tranformar em algo que nunca foi.
Como uma visita a Vegas, onde aposto sempre todas as minhas fichas no número 6, o número da afeição. Sempre caí no número 13. Como uma boba que sempre acredita que desta vez será diferente, dará tudo certo. Nunca dá.
Isso me assusta, aos poucos eu vou deixando de acreditar que exista final feliz para mim. Todo amor acaba com meu coração e enfim acabo por me privar de amar, esconder meus sentimentos para que assim ninguém os veja, ninguém os tenha. Sendo assim, ninguém me machucará, a não ser eu mesma, que sei que tenho mas não ofereço.
Mas guardar é tão triste, solitário… Cada vez mais me afasto das pessoas, escondo o que sinto, me sinto pressionada por mim. É assustador como meus próprios sentimentos podem ser tão sufocantes. Mas acredito que ainda assim, mesmo sem ar posso viver melhor, ou menos pior, do que amando e não sendo amada. Do que amando e sendo humilhada.
Mas chega uma hora em que não aguento mais esconder tanta coisa; sentimentos, pensamentos e afins. Sou a garota, uma menina maculada que não aprendeu a amar direito e que não consegue segurar essas lágrimas teimosas e que me entregam a cada música tocada no rádio.
E percebo então que guardar tudo isso para mim é demais, pois eu sou humana também, também sonho, vivo quando consigo e existo como defesa. E percebo que viver é arriscar, é sonhar é cair e se levantar. Penso comigo: de que adianta me trancar em uma concha e criar minhas pérolas se jamais irei entregá-las à ninguém? Não vale a pena se for assim, mesmo que seja para a pessoa errada, eu tenho que arriscar minha felicidade e entregar meu amor para quem amo. Se não for pra ser, o máximo que me acontecerá é uma ferida que com o tempo se cicatrizará e me renderá lições de vida que jamais poderia ganhar de outra forma. Uma ferida que amigos me ajudarão a cuidar e tratar, e assim como a vida me derrubou irei forçar minhas pernas e levantar, para sempre seguir avante, para mostrar ao mundo que meninas também amam, sofrem, caem e levantam. Porque meninas são fortes, apesar de parecem frágeis. Mas não conte para ninguém, segredos de menina são preciosos demais. Vou levantar e arriscar, quer vir comigo?
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